Formula 1: Pela primeira vez, depois de anos - após ter escrito sobre Fórmula 1 para um jornal - sinto vontade de fazer artigos sobre essa grande categoria. Pretendo postar artigos durante toda a temporda 2005, pois considero que será bastante diferente das últimas cinco.

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Luciano Marques
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Domingo, Março 06, 2005 :::

A temporada dos pneus



Empolgação. Foi o que senti na primeira etapa da temporada 2005 de Fórmula 1. Depois de muitos anos resolvi voltar a escrever sobre o assunto, uma vez que a categoria, na minha opinião, tinha deixado de ser um esporte. Hoje, quando parece que teremos uma temporada comandada pelos pneus - ou seja, os pilotos terão de ser exigidos novamente -, podemos mais uma vez sentar em nossas poltronas sem a certeza de que tal carro ganhará o campeonato. E é disso que vive o esporte, da incerteza.

Hoje, pouco antes de assistir à primeira corrida, etapa da Austrália, comentei que tinha saudade da época em que o piloto tinha que ganhar a corrida apenas com a terceira e sexta marchas - e ambas transmitidas no braço. Infelizmente, há alguns anos, saiu a era piloto e entrou o tempo das máquinas. A F1 deixou de ser um esporte de pilotos para ser uma competição de mecânicos. Quem montava a melhor máquina praticamente dava o título ao mané atrás do volante. Vocês lembram... suspensão ativa, repimboca da parafuzeta automática, etc e tal. Foi quando a Fia caiu em si.

Há algum tempo os cartolas da Formula 1 descobriram (até que enfim) que a destreza do piloto é o que importa. Ano passado já alteraram o treino, tentando dificultar o trabalho dos mecânicos e máquinas. Esse ano, então, mudaram a regra em um ponto chave: pneus. Como os pilotos só poderão usar um jogo de pneus por etapa, vai depender muito mais deles que do equipamento. Agora é a hora. Com o desgaste, eles terão de provar que têm braço de verdade. Não é nem de longe o retorno aos bons tempos, mas já é alguma coisa.

Não estou dizendo que Schumacher é bom piloto por causa do carro (a sua era, infelizmente, não tem rivais), mas, com as novas regras, posso apostar que todos eles estarão em um mesmo nível, terão de confiar mais em seus dons que em seus mecânicos.

Nesta etapa de Melbourne, já deu para sentir que o campeonato vai ser acirrado. Briatore gritou aos quatro ventos que o conjunto da Renault é o melhor atualmente (um excelente chassi e um motor que já ganhou quatro campeonatos) e, logo de cara, conseguiu primeiro e terceiro lugares. Fisichella venceu e provou que não era só uma promessa e Rubinho mostrou que pode, com seu auto-controle e conservadorismo, disputar o título. O único problema do brasileiro é que a Ferrari corre com pneus (voltamos a eles) Bridgestone, ao contrário das outras escuderias grandes que disputam o campeonato (todas correndo com Michelin).

É cedo para dizer que Schumacher terá problemas pela frente e que outros nomes vão despontar. A Ferrari ainda vai estrear o carro novo e muitas das dezoito pistas que ainda faltam dificultarão a vida do único jogo de pneus. A próxima corrida será disputada na Malásia, ovo fritando no asfalto. Só depois de lá podemos ter uma idéia do resultado dessa nova regra. Eu, particularmente, espero que continue competitivo como foi nessa madrugada de domingo e que os pneus gastem, derretam para chamar no braço a antiga responsabilidade dos condutores.



abastecido por Luciano Marques , às 1:43 AM


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